quinta-feira, 30 de junho de 2011

A vida é um filme

Claro que cada uma das nossas vidas dava um filme.

Ouvi há pouco tempo um padre dizer uma coisa que me prendeu a atenção. Enquanto listava o que devíamos de abdicar para sermos verdadeiros cristãos , ele mencionou a "auto-suficiência".
Fiquei a matutar. Eu sou muito independente de facto. Mas, pensando no que muitos amigos me dizem qu eé : "afasta-te um bocado", não podes estar assim tão ligada a esse problema, não é teu", "pensa mas é na tua vida e nas tuas miúdas", percebo o que queria dizer a Palavra. Lembrei-me de muita gente que conhço e que conheci, muito ciosos das suas rotinas, gestos, sequências, hábitos, horários, constituição do pequeno almoço, com quem se deve dar ou não, as escolhas que fizeram, como arranjaram a suas vidas por forma a ter o mínimo de sobressaltos, e de , poder aparentar , nesta calamaria um perfil de vida "normal".

Mas , não pode ser.

Como posso eu ficar indiferente aos dois gatos que vão perder a dona, porque esta vai para a Suiça e lá não a deixam ficar com eles e, a neta, que já não tem a esperança de se reconciliar ou sequer dar com a mãe, e que vai ficar cada vez mais sózinha, apesar de ficar a viver com os outros avós, cuja figura paterna é muito bruta?
Se ela , uma miúda, acabada de ser mulher, me dá este exemplo de força, ao tentar encontrar um lar para os gatos que ela própria adora, como posso eu ficar de braços cruzados acariciando apenas o meu gato?

Não.

Vou pôr no facebook pelo menos. são dois gatos muito bons e calmos e que gostam de estar um com o outro. Como irmãos. Se alguém quiser ou saber de alguém que os quer, digam-me.

Isabel Maria Pinto Coelho

E pronto , é só isto. Um velório, uma missa, uma missa de 7º dia e sais da minha vida. digo minha porque não sei a dos outros. quando te coonheci tinhas um homem, deste-me a tua simpatia e alegria, e contavas as saidas de fim de semana, os cozinhados , as férias na Europa , África, Médio Oriente e, em segredo mostraste-me o tal nosso colega em todas as fotos. Dezoito anos , vim eu a saber, embora não vivendo juntos diáriamente.
e aquela família africana, cheia de filhos, da qual "adoptaste" a Michela? Onde estavam? Não os vi.
E o teu homem? Assim que ficaste doente, começou a dar desculpas e a desaparecer ?
É certo. Eu também já te evitava um pouco no final. Não ouvias e tossias sem misericórdia.
O que podíamos falar? Vivias hora a hora. Já não era um dia de cada vez. Mas não te quero esquecer. Para isso tenho a minha cabeça, uma ânfora qu eme deste na sala e uma grande e fôfa rena com guizos no meu quarto.
Quero também uma foto tua. Eras muito bonita, mas não entendo que raio de vida e de muros construíste que no fim , só os colegas te homenagearam.
Lembro-me de todos os conselhos que me davas sobre os hoemens e sobre a vida. Eu pedia-tos e ouvia.
Lembro-me de um dia muito horrivel, em que o homem que eu amava, me telefonou a soluçar alto da morgue onde jazia a filha de 21 anos acabada de falecer. Tu aproximaste a cara da minha e disseste num tom que não admitia réplica. "Controla-te! Deixa-te disso imediatamente. Pior era se ela tivesse sobrevivido e ficasse aleijada para o resto da vida". Achei isso tão cruel. Mas acalmou-me. Estava ano local de trabalho e compreendi-te.
Tu no fim dizias, " queixar-me ? porquê? não, há gente que está muito pior que eu". Porque as viste e sabias.
Um abraço muito grande. Fico com o teu sorriso , o teu riso , a tua elegância e o copo de plástico onde bebeste água ainda está no meu carro. Bem hajas por tudo o que me proporcionaste e também à Michela . Que ela nunca te esqueça e tenha a sorte que lhe desejaste.

domingo, 8 de maio de 2011

Pontos nos is

Claro que vou continuar a mentir. A coisa mais manipuladora e sem escrúpulos e que "entala" os outros de vez é ser "extremamente honesto contigo pois disse a verdade". E agora? Ser honesto é virtude. E então? Pró cócó essas coisas da verdade e da honestidade. Dizer enfim aquilo que foi omitido ( mentido) é uma grande virtude? Só dilacera quem tem de ouvir e deixa alegremente impune e com a sensação de ser muito bomzinho quem a proferiu. Nunca ganhará um lugar no céu. Se é isso que pretende. E unca mais dormirá sossegado ou sossegada, se também era isso que procurava sarar. Há consequências para os nossos actos, mais que para as nossas palavras.

Como amar alguém e ir para a cama com outro. Acredito nisto e acredito profundamente que se continua a gostar e a amar a primeira pessoa. Mas, seja como for, se for sabido por essa pessoa, terá sempre consequências.

Mesmo que seja apenas flirtar com homens à mesa de um restaurante com o marido e todas as outas esposas presentes. Nunca submestimar os outros e as outras e muito menos o marido.

E agora irritei-me e já não sei o que ia dizer dizer. AHH!

Sim. Como a canção de uns tipos dos anos 70 que hei-de encontrar, senti esta semana, um rejubilo ao apreender que se não posso estar com quem mais amei, poso amar a pessoa que tenho. É difícil, sobretudo paa quem foi criada numa família altamente crítica de tudo, desde gozar com as características físicas até às morais. Quado acontecia algo de mau a essa pessoa, tinha que haver respeito e não se dizer mal, embora no íntimo sobrasse aquele bem estar de "nós somos bons apesar de muito infelizes " lá está aos outros felizes é que acontecem coisas más. Cotinuemos pois a ser como somos. Ir à missa, estudar para ser formado e, continuar a ter o inferno dentro de casa. Mas ai de quem disser alguma coisa destas paredes para fora.

Bom, e então, é isso. Voltar a estimar , quem nos estima. A amar quem nos telefona. A amar quem nos ama. A idealizar, mesmo sendo já velha e não tendo muitas expectativas. Vendo rápidamente os defeitos do outro e aceitá-los, tal como ele aceita os meus. E ver e sentir as qualidades. Ás vezes sem as saber classificar ou catalogar, simplesmente senti-las, pois ao senti-las de certeza , que nesse momento me estou a sentir bem.

E sem nada a ver, o silêncio da casa um dia inteirinho só para mim. O telefone, só atendo o meu amor. De resto , ninguém. Primeiro custava-me concentrar. Limpezas mas depois a tv,ms há coisa melhor, ler, mas há coisa melhor ir beber café, mas há coisa melhor ir à praia, mas ha coisa melhor ver o FB, e isto não pára. A vida é curta e há que aproveitar o mais possível e depois..não se aproveita. Tal é a velocidade com que queremos fazer tudo.
Pois eu sou contra!!! Uma coisa de cada vez ( há que aprender ), e - muita atenção!- com muito amor. E assism li o livro da barragem, o fim de outro, um bocado da Ler, e o livro do Vaz. Aahahahah! Fartei-me de rir pois ele chama aos psiquiatras os psi. Uma medida da tensão de vapor. Está coerente!

Também já encetei conversações secretas com o ministério das finanças. Mas ainda não as finalizei.

A quem então vou dar o meu voto no dia 5 de Junho? Será que é desta, que é aos comunistas? Que dizer deles, tenho-os na minha família, sobretudo a parte mais rica, e, na verdade , nunca me traíram. Houve o 25 de Novembro simmm, bom mas o que se passou nos últimos anos não foi o mesmo? O mesmo já não posso dizer de um Fernando Nobre que teimoso tal como eu, quis , e quis muito , nem que fosse pelo PSD. Ora isso não se faz. É trair o ideal das pessoas que nele votaram. Continua a ser um grande homem, mas nunca o eligirei para nada. Que continue a trabalhar, será o que ele faz melhor. Tal como eu.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Back to the future

Eu estou boa. Tomo uma toma de antidepressivo à noite, mas numa dose homeopática, dado que nunca aumentei a dose como é sugerido. Ajuda aos níveis de serotonina. Pode dizer-se que me drogo? Bom, diz na bula que posso guiar. Também tomo uma metade de dose de anti hipertensor de manhã ao pequeno almoço que o cardiologista classifica de homeopática.
Estou portanto em equilíbrio homeopático com os meus remédios.
Se não vier nenhuma doença, quero fazer muita coisa.
O amor pelas minhas filhas toma proporções que nunca imaginei. A minha Susy. Sei os medos que ela tem. E também as ilusões. A minha Madalena. Promete uma adolescência muito frontal. Já tenho que lhe aloirar o buço aos 10 anos. Quero ir aos castelos da Escócia. Com elas. Quero acampar uma semana com elas. Quero ver um bailado com elas. Uma ópera com elas. Quero entrar no House com elas. Ir à torre Eiffel com elas e depois jantarmos em Montmatre.
E viver no Canadá um ano, com elas.
Diz uma autora que o que queremos na vida é amar alguém, ser amado e esperar nunca morrer depois dos nossos filhos. Mas é mais. Mesmo para quem não cumpra os três axiomas é sempre mais, a vida. O prazer do conhecimento, o prazer de fazer arte, de trabalhar, de comunicar com alguém, de contactar com a natureza, é indescritível.

eu ando mázita

É . É.
Tenho pensado muito. Naquela frase " a pior pessoa é a mentirosa". Eu às vezes minto. Sobretudo por perguntas que me fazem e às quais não quero responder. Em vez de dizer, Tens alguma coisa a ver com isso? , minto. Dizem que os adultos preferem pessoas que não são mentirosas. Nesse caso se eu deixar de mentir, tudo vai ser melhor?. Mesmo que doa a quem eu disser a verdade?
Inclusivé leio que o grande avanço na humanidade será atingido quando todos disserem a verdade. Vou tentar ser melhor pessoa e talvez, ao invés de mentir, ser franca no que diz respeito ao que me apetece ou ao que sinto. Ou então não justifico. Dependerá. Bom, vou tentar não mentir mais. Sobretudo é para meu interesse que minto. É portanto uma forma de manipular. Porém, a quem minto, tenho a certeza que percebem que estou a mentir. Isso faz-me sentir melhor, mas não é justificação. É feio. Vou tentar melhorar nisto.
Nisto, e arranjar o aspirador.

No entanto, nunca menti em relação ao meu ordenado, ao que compro e gasto. Não minto em relação ao dinheiro portanto. Mentir aos meus pais , já não. Às minhas filhas é muito raro. Enganar namorados, nisso, mea culpa. Colegas também já não. Para conseguir algo burocráticamente tenho verificado com espanto que quanto mais sincera sou, com enorme facilidade obtenho informações e documentos. A quem minto então? Acho que sobretudo a quem não tem o direito e ou a moral de me fazer certas perguntas.

Ámen.

terça-feira, 3 de maio de 2011

pós bin laden

ando um bocado esturricada. é uma nova fase? é de facto, estão muitas coisas a mudar. deixei a psicanálise, não deixei a pílula, a mais velha está a fazer por entar na faculdade, está a fazer por ter uma vida sexual, está a fazer por continuar os seus sonhos da dança, a mais nova está a ficar muito bonita, mas continua muito gorda, a limentada pelos meus pais a pão com presunto, refrigerantes , bolos e chocolates. tem os dentes para tratar mas, o pai e a mulher dele, comparam os seus tratamentos dentários no dentista do pai e a mulher dele opina que ela é muito nova para usar aparelho. vou deixá-los tratarem dos dentes da Madalena. estão a precisar de se ocuparem porque naturalmente já não podem muito bem um com o outro. e eu vou começar a pressionar o pai dela no sentido de tratar dos dentes da filha. nada como entregá-la na mãos de especialistas. depois logo pensarei em pagar a metade. depois de levá-la ao meu dentista e ver s eo trabalho está bem feito.
ontem abracei a minha mãe com muita força. senti o calor dela. tenho medo de a perder apesar de sermos muito diferentes.
depois há o mundo. mataram o mau o bin laden e agora estamos cheios de medo que reajam e nos matem. como na raça cigana. vingarem a família. se assim fosse , como é possivel a França dar-se com a Alemanha? o dinheiro. decobri há muito a importância do dinheiro, mas, mesmo sabendo das várias teorias anti-dinheiro tenho que admitir, aborrecida, que é um elo forte de ligação entre nações. entre pessoas. é até a força motriz de muita gente. a razão porque vivem. já foram inclusivé criados assim. em casa falava-se quase só de dinheiro. sabem das teorias da felicidade, falam delas inclusivé com sabedoria, mas, quando lavam os dentes e vêm o rosto reflectido na torneira e quando se perdem numa página de revista, os pensamentos voam e concentram-se nos números a subir na conta. ninguém sabe. mas é a mais pura alegria deles.

eu? claro que vou tratar dos dentes da Madalena. sou a pessoa mais indicada, porque a amo mais que ninguém. verdadeiramente. os outros que querem falar sobre os dentes dela que se fod.....! sózinhos, porque juntos sei que não.

na primavera andam muitos pós no ar . apanhei alguns pós bin laden.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Anuxa

A Ana morreu.
Tenho pena de não me ter despedido dela. Mas que poderíamos dizer uma à outra? Ela não me ia confiar os seus filhos. Isso sei que era a sua única preocupação. Deixá-los tão cedo. E a precisarem tanto dela.
O pai é boa pessoa, como sempre se diz nestas coisas, mas penso que era alcóolico. E isso é terrível. Mas é melhor do que não terem pai.
A Ana sei que me diria,Nita, aproveita avida e não ligues a coisitas mesquinhas que não valem nada. Deita-as para trás das costas.
Acho que foi em minha casa que estivemos juntas pela última vez. Ainda saímos algumas vezes, jantámos , muitas amigas juntas, rimos. Ela tinha já o destino marcado na cara.
Dei-lhe algumas vezes boleia até perto de IPO. Ela ia o restante a pé. Sózinha. Para os tratamentos. E ela era casada. Tinha 4 filhos. Cinco irmãos. Pais vivos. fora os cunhados e cunhadas. E amigos. Serão sempre estes .....???
Há coisas que não entendo.
Mas lembro-me bem da Ana. Um bocado revoltada. O patinho feio da família. Ela era bonita. Mas nada do que fazia suscitava elogios. Lembro-me dela nas Guias. Um dia disse-me o que ainda ninguém mem tinha dito : que eu tinha uma boca e um sorriso lindos e que ela gostava de os ter. Ainda nos rimos muito as duas. E, quando ela cresceu e começou a namorar o Rodrigo, um borracho por sinal e, andava de sapatos altos e malinha chanel a tiracolo durante o acampamento. Não fosse ele vistá-la. E foi. E, um dia lá vinha ela com um pensinho higiénico na mão até à fogueira para o queimar. Ah, muito nos ríamos. Esse acampamento foi memorável a vê-la de malinha a cortar lenha. Acho que foi no Linhó. De todas nós que me lembro das guias, ela é a primeira a falecer. Fica em paz Ana. Os teus filhos vãos ser felizes. Se pelo menos forem bons irmãos , eles vão conseguir, juntos.
Talvez a grande mudança que se opera nesta nossa geração é que criamos os nossos filhos de forma a que são muito bons irmãos, unidos. Os pais que eles vêem são de confiar mas em separado individualmente não como um par.
Mesmo assim , tenho esperanças.
Também soube de outra amiga com a minha idade, menos um ano ou dois, com cancro. Esta não fuma. Porquê? Porque é que "apanhou" cancro? Não sei. São muitos anos de nervos , de ansiedade, de stress , de medos? É a alimentação? Hereditário? Esta espero que ganhe a batalha.