segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Canção Per Beth

Ai , que bom, ai que bom.
Botas pretas, brilho a couro, cano bem alto e salto alto e grosso.
Gangas compridas só a deixar ver o bico das botas.
Beijar-te.
Uma busa sexy um colar comprido, de metal.
Comprar um puff de couro castanho ou preto, quadrado ou circular.
Estar unida a ti.
Comprar um soutien desgraçadamente picante e umas cuecas que não são cuecas.
Poder cheirar-te.
Ver um homem bonito a olhar-me com admiração.
Fingir que te vou dar uma palmada e tu encolheres-te a rir.
Puxar a minha filha pela rua abaixo e ela a rir , quase sufocada, a adorar.
Sentir a tua voz macia e doce comigo.
Encostar-me à umbreira do quarto e fazer sorrir sem ela querer, a minha filha mais velha.
Ver como arrumo bem a casa, como é acolhedora e funciona.
Ver tantas coisas que te quero comprar e não comprar nada.
Abraçar um gato ou um cão de encontro a mim e sentir a paralisação de prazer do bichano.
Dar-te o teu queijo favorito.
Sentir-me corar quando um galã me dá a mesa de um restaurante para mim e para as minhas filhas.
Rir-me ao rir com alguém que ri de alguma borrada que fiz.
Apertar-te, querer segurar-te.
Eu já não era tua, agora também não sou.
Foi-se a minha privacidade : dantes saía da minha para ir para a nossa.
Agora saio da minha para não ir para a nossa.
Ouvir as tuas convicções, já entarmeladas pelo álcool.
Olhar os teus olhos, à procura de algo onde se prendam, numa tecla, num fio de fumo, como a uma tábua um naúfrago, que sem ver a costa se pergunta se se deve deixar ir, escorregando, ou ficar fincando os dedos.
Estremecer a ouvir-te, a pensar que nem sonhas nem imaginas como estou a gostar de ti naquele momento. E nada dizer.
Ai, que bom, ai que bom.
Pensar em cada um dos meus amigos.
Querer correr para o pé deles.
Telefonar-lhes.
Escrever-lhes.
Quero aprender a cantar.
Ai, que bom, ai que bom..........

Canção Per Elisa

Aproximo-me de ti , os meus olhos por vezes não te conhecem.
A distância desfoca, mantém a aura, o mistério.
Os meus olhos não se dão com os meus ouvidos.
Ouço e não gosto, e o que vejo é tão bom.
Logo a seguir o que vejo, desanima, mas o que ouço ao ouvido, leva-me aos pulos pela rua fora.
E a mente, porque não se coordena com os olhos e com os ouvidos ?
Que cansaço, ter que "ver" com a cabeça.
Ó mente!
Ou mente.
Ou desmente.
Não sei o que me alimente.
O amor que dou plenamente.
Fico plena, embora haja aperto na boca do estômago e o coração palpita.
Ou o que recebo ( recebo?) quase imperceptívelmente?
Fico com fome, quero sentir o estômago, atiro comida pela boca adentro.
Quero perguntar, quero retorquir, quero estar ao mesmo nível, mas sou mantida sempre à distância.
A distância varia consoante a situação impôe.
Amiga.
Amante.
Amiga.
Amante.
E assim por adiante, sem haver coragem.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Amigo

É bom gostar, amar e ser útil para alguém. Quando se é boa pessoa é isto que nos prende à vida. Mas, se um dia, em que ninguém suspeita sequer o estado de alma em que estamos, temos um telefonema de um amigo que se lembra e se importa connosco e nos diz coisas amáveis e engraçadas.....tudo faz sentido.
Ou seja, ser amado também é bom, e agarra-nos à vida. É preciso saber receber também. Tão importante quanto dar.
Adoro-te.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O Natal

AHHH. Que bom é o Natal. Dantes eram os gritos constantes dos pais, os amuos da mãe porque os presentes que lhe tinham dado não lhe tinham feito jus.
Hoje com as separações e divórcios, como é que raio vou passar o Natal sem as minhas filhas?
Batatas. É que não tem piadinha nenhuma.
Lá vou eu para casa dos meus pais, sempre alerta para ver quando é que a minha irmã que sofre de perturbações mentais de repente "salta" para algum dos presentes, injuriando , ofendendo de uma forma massacrante. Ou seja, não ouve e, não se cala.
Bom , eu vou. Como, e saio de fininho. Vou para a minha casinha, faço o cabritinho no forno, com o arroz de míudos a condizer e ponho a linda mesa a cintilar, para o almoço do dia seguinte.
Abro o calor, agarro no gato, ponho um filme, fumo um cigarro e tomo um wisky.
Gostava era de dormir com o meu amado e no dia seguinte continuar com ele.

Mas, o Natal é bom. Sobretudo, porque posso comprar finalmente as máquinas de lavar roupa e loiça e um micro ondas. Os que tenho hoje já têm pelo menos 25 anos. E depois...tiram-se férias. FÉEERIIIIASSSSSS. E, verdade seja dita, vê-se ainda o rosto de surpresa e alegria das crianças a abrir os presentes.
E pronto.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

É a única coisa antinatura

De facto é. Há nome para viúvo, orfão, mas não há palavra em português para designar um pai que perdeu um filho.
Eu no meio do desgosto percebi quanto gostava do pai.
Mas o que já não era, não é agora pelo desgosto, que vai ser.
Dantes não havia compromisso, e vergonha em apresentar aos filhos. Hoje, que a filha infelizmente partiu, já não tem importância eu conhecer a família. Não me foi apresentada . Apresentámo-nos uns aos outros. Em solidariedade. Porque uma coisa nos unia- gostarmos do pai. E também da mãe.
Mas as decisões que se tomam quando se perde um filho, podem a nós parecer bem ou mal. Está errado. Não temos que achar nada. Nunca perdemos um filho. Sabemos nós lá que decisões se devem tomar.
Ele decidiu perder a sua liberdade, juntar-se à mãe da filha, na casa da filha.
Só assim porventura fará sentido a vida. Ajudar e estar sempre ao pé da mãe da sua filha. Não éxistem dois seres que melhor entendem a dor que sentem. E que melhor recordem a filha.
Eu, estou de pés e mãos atadas. Não posso falar.
E vou ter de ir saindo agora. De mansinho. Só se alguém me chamar.
Mas não creio. A dor não diminui com o tempo, volta , de uma forma excruciante, quando quer. Sempre. Toda a vida. Se eu puder minimizar essa dor, já me dou por feliz. É o que ele faz pela mãe da filha, sua ex mulher.
Porque gosta dela.
Como eu dele.

Sei que não sou sua prioridade. Mas também descobri que ele está no mesmo lado da lista que eu . Ele nunca foi uma prioridade sua. Sempre viveu, sem viver a sua própria vida, sempre em função de alguém , que sabia não podia viver sem ele, precisava dele. Só assim faz sentido. É estrutural. A liberdade que tinha não faz sentido.
Quer agora que tudo seja vivido à frente da mãe da filha.
Como antes foi à frente do pai. Que precisava dele para ter vontade de viver.
Como ontem a sua filha e a mãe da sua filha.
Como hoje a mãe da sua filha.
Como sempre.
Mas, na verdade, choro, não porque perdi, aquilo que nunca foi meu, mas porque sei que a dor que o rasga é tão mortífera, que só me apetece abraça-lo, amá-lo, aquecê-lo, mimá-lo. Como ele o quer fazer à mãe da filha.
Assim seja. Prometi no entanto à filha deles, junto à caixa onde alta onde a colocaramem, que tudo faria para que os pais dela tivesem vontade de viver.
Assim o farei, querida rapariga, que nunca tive o prazer de conhecer, mas que mais de mil vezes imaginei.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Perdoar, perdoar , ó minha cana verde....

Pois entrei no facebook. Ah! Mas encontrei amigos do Hi5 que não me tinham convidado para o facebook!!AH! Vinguei-me.Agora estou lá, mas eles, não me podem ver. Vai começar o realizar dos sonhos para 2010.Amigos é a palavra de ordem. A eles me vou dedicar.Mas primeiro às minhas filhas, verdadeiros tesouros, cheios de luz.
Só nós três é que sabemos!
Ontem , quando chegaram, abraçámo-nos longamente, Salvaguardando a Susana, que achando ser de mais me empurrou "suavemente" quase escada do prédio abaixo.
Mas depois de ver a mochila nova da Madalena, e de nos juntarmos a palrar no quarto da Susana, quem poderia supôr que nos pusémos a dançar, dança do ventre à frente do espelho, a música bem alta da Madona e, eu com vestuário da Susana e elas com gorros e chapéus.E claro acabámos por nos rir.Depois eu. Vou fazer algo que há muito me segreda ao ouvido.E depois os amigos. Farrrrrrrrrrrrrrrraaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Chorar muito , chorar muito até lavar o desgosto

Mas porque raio morreste Vitor?
Onde estás? Eu preciso de ti.
A minha mãe vai ficar cega, o meu pai vai morrer, porque já noto que se cansa muito.
Quem fica para gostar de mim?
Com as minhas fraquezas, com os meus defeitos, tão irritante que eu sou. O meu cabelo de bruxa, os meus óculos de velha.
Porque com as minhas forças todos querem ficar.
As minhas filhas, essas não quero que me vejam soçobrar.
A minha amiga Ana tem uma doença degenerativa. Vou-me apoiar nela? Ela tem os pais, os filhos, a carreira, e, o amor, que aproveita enquanto dura.
Estive a ver fotos nossas. Tu. Sempre activo. Sentávamo-nos quase sempre juntos.
Eras o meu irmão. Ríamo-nos sempre. E eu podia discutir contigo. De ti aceitava um não , uma discordância.
Depois da raiva que te tive, quanto te mataste, veio agora uma tristeza enorme, quando me imagino no teu lugar e imagino o teu sofrimento, o teu desespero.

Hoje percebo que não são os defeitos de uma pessoa que nos levam a afastar dela. Isso nunca é razão. É o carácter delas. A integridade.

Também percebo que existem pessoas muito bondosas e altruístas para os de "fora". Os pobres, os doentes, os sem abrigo. Mas, para os próximos, para aquelas que são mesmo da sua responsabilidade, são desapegados, distantes, esperam impacientes que se desenrasquem, dão os bens materiais até para além do necessário.

Eu sei. Porque também já caí nessa tentação. Do ego. Da irresponsabilidade. Ou da não responsabilidade. Esse fardo. Há muitos anos. Depois percebi, que é com os nossos que temos responsabilidades e é primeiro para eles e com eles, que devemos dar e receber amor. Nunca esquecer primeiro eles. Mesmo que isso nos fruste muitas vezes. A frustação, veio a experiência ensinar-me, nunca é em vão. Quando menos se espera, há uma sinal que nos enche de alegria, de esperança, de fé. Nas pessoas. E no amor.

Vitor, vou ouvir a Nina Hagen. Ela é um bocadinho de ti.