terça-feira, 24 de agosto de 2010

Impasse

Hoje estou danada. As coisa não correm como eu quero. São as calças que estão apertadas. Engordei e já não estou com muito bom aspecto. Ginástica? Nutrição? As duas. Dinheiro. Não tenho. Quero um PC, um Ipod, uns sofás, uns canos novos debaixo do lava loiças , uma torneira posta.

Não estou bem com a minha filha. Não me trata bem , com carinho e atenção. Sinto-me às vezes que ela me trata como a sua secretária particular. Detesto. Enraivecida apetece-me afastar.
Mas sinto tanto a falta delas. Como se não me apetecesse fazer nada. Não tenho vontade de fazer nada. Só ir limpando afanadamente e depois ir deixar-me cair numa cadeira, sofá, cama.

Há três meses disse a uma colega minha de quem gosto muito. Estás mais magra. Hoje sei que tem cancro. Merda. Merda. Quem fuma assim já sabe que é inevitável. Então porque fumam?
Eu sei , é uma muleta. Eu uso outras. Tomo comprimidos. Parece-me melhor, do que inalar fumo durante uma vida, para um orgão nobre como são os pulmões, em vez de ar puro.
Estou cheia de raiva.

Por outro lado sinto-me feliz. Feliz porque me têm amado, dado atenção, carinho, alegria. E eu também amo. E quero-o muito. Mais do que alguém pode imaginar.
Mas está tudo errado. Porque de facto tenho sido uma cega. Agora, tenho visto, pelas filhas, como as minhas também sofreram e sofrem com o divórcio. Estou furiosa comigo. Como pude pensar, estupidamente, que elas estão na maior, e que já reagem bem. Vão sempre sofrer. Hoje não consigo ver as vantagens. Sei que há. Mas hoje não consigo. E depois, verem os pais a beijarem e a acarinharem outra ou outro.....é tão mau. Tão embaraçoso. Como quando vemos os amigos beijarem-se na boca. Parece sempre que estamos ali a mais. Ou, que sem nós, estariam bem concerteza.

Mas, voltando às filhas, tenho sido permissiva. Um mau exemplo. Hoje não saio daqui.
Vou começar por uma coisa aparentemente fútil.
Vou emagrecer.

Porque eu não vou conseguir nunca melhorar o sofrimento delas, porque elas têm uns pais que não se falam. Não dirigem a palavra. Não falam ao telefone.
Por isso é que eu o odeio muitas vezes. Quando lhe envio mensagens e não tenho qualquer resposta. Choro, não é bem por mim, porque eu só sinto afastamento, dói-me é o que elas sentem , pois eu sei que elas sabem do comportamento dele. Podem pensar...eu adoro o meu pai, que fez a minha mãe de tão terrível que ele nem lhe fala?
Chamei-lhe um nome. Foi isso. Um nome.

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