quarta-feira, 3 de março de 2010

Posso?

Ontem tive uma conversa interessantíssima com Susana, na qual me pedia para pôr um piercing na língua. O problema da psicanálise é que percebi logo o porquê da conversa. Continuo a acreditar no Freud e, no Júlio Machado Vaz. Nunca utilizo a psicanálise de uma forma manipulativa. Mas desta vez utilizei. Estava com muiiiiito sono.

A Madalena, a mais nova também ainda me deu um "chá" de boas maneiras. "Ó mãe tu dizes obrigada ou obrigado?. "
_"Acho que se deve dizer obrigada se se for mulher mas eu uso os dois conforme me sai."
-"Ai, eu para os amigos é thank's".

Depois disto, ralada, porque o meu gato está doente e não lhe vejo melhoras, pensei numa conversa que tinha tido com a mãe do Bruno.

Depois de mais duas confirmações de separação e de vida de casal como dois irmãos, ela disse que tinha falecido a bisavó paterna do Bruno.

Contou-me que tinha chorado muito e que as colegas a criticaram duramente "uma médica a chorar por uma bisavó paterna que já tinha 98 anos?"

Percebi a desilusão dela e falámos em sintonia.

Hoje parece que fica mal chorar. No emprego, pode ser um emprego que fica em causa. De uma desilusão de amor....que horror!. Já não se usa. Mastiga e deita fora. Se falece alguém que nem é da nossa família, mas a quem queremos mais do que os da nossa própria família....não é de bem! "Controla-te" dizem-nos, "estás toda vermelha, antes assim do que ter ficado estropiada".

Até com as minhas filhas, engoli lágrimas com dificuldade e muito esforço. Fiz bem. A noite e o carro sempre foram os meus locais de culto.

Mas agora que são mais crescidas, no outro dia foi mesmo à frente da mais velha. "Ò mãe!". Ó filha comovi-me! Isso é condenável? É até por uma coisa bonita! Isso é condenável?

Deixem-nos chorar. Somos gente. Com sentimentos. Não somos criaturas robotizadas, programadas, eficientes, rotinizadas, laváveis, inquebráveis, sem barulho e com garantia de durabilidade.

E lá por ter 98 anos? E então? Onde está o respeito , a conseideração , o tributo a quem foi bom para nós? Também não se podem contar histórias dessa pessoa. É tétrico.

E pode pegar-se. É peçonha.

"Então tudo bem?"
"Tá, tudo bem!".

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